30 August 2006

respondendo ao Lucas


Lucas, estou curiosíssima em saber como cê tomou conhecimento da Equipe Mercado. Você com 22 anos!!! Aquilo foi há 37 anos atrás, cê ainda estava loooonge de nascer... Como foi???? E mais curiosa ainda: a entrevista que o Nelio fez na Senhor F!!!! Olha, até músicos antenados com o presente e passado não conhecem, e quando lhes mostro as gravações e conto detalhes, se amarram!!!

Um reconhecimento assim que nem o seu deixa a gente muuuuuito feliz... Mais ainda: sabe uma gota que cai num lago e faz um ondular que vai crescendo, crescendo até percorrer toda a sua superfície? pois é, é assim que me sinto quando acontece isso: a gente teve uma vida curta, de 69 a 71, não tivemos quase registro nenhum, não temos um clipezinho, nenhum minuto filmado de show, mas foi tudo muito forte, a época era muito especial politicamente, culturalmente, filosoficamente, esteticamente. Mas voltando pra gota que cai no lago: foi como uma gota, mas provocou um marulhar.... um marulhar que continua vibrando na superfície do Planeta Música até hoje, a Equipe Mercado e tudo que ela representa continua viva, com reconhecimentos como o seu!!! sentimos que não foi em vão, algo restou daquilo tudo!!!

Várias perguntas suas foram respondidas no post "respondendo": sobre as gravações e fotos da EM, a gravação do Cérebro Eletrônico que não houve porque ninguém gravava ao vivo, não havia nem walkman... e sobre o desinteresse das gravadoras em trabalhar com música não-comercial e sobre não haver gravadoras alternativas na época, e nem computador, programas de gravação caseira. Agora tá uma beleza, mas na época tudo era difícil, tudo era experiência, mas delicioso porque a criatividade rolava solta (queríamos fazer uma coisa, mas como??? então inventávamos..) em tudo que fazíamos, na música, na comida, nas roupas, na decoração caseira, nas relações afetivas, nos costumes, enfim... queríamos mudar o mundo, né?

Ainda respondi à sua pergunta sobre as gravações do Bando da Lua no próprio post. Não houve propriamente uma data que o grupo acabou, foi acontecendo aos poucos, primeiro Ivo Astolfi saiu e foi substituído pelo genial Garoto (1940), depois nos Estados Unidos o Bando passou a ser mais acompanhante da Carmen do que continuar seguindo com seu trabalho original e próprio e meu pai (Helio) resolveu cair fora em 42-43, junto com o Vadeco, e foi assim. O Ruy Castro conta esses detalhes e milhares de outros no seu excelente livro Carmen, lançado recentemente. É uma leitura obrigatória pra quem se interessa em saber sobre o Bando, a Carmen e sobre toda essa Época de Ouro da nossa música. Imperdível.

Mande-me seu email se quiser receber mais detalhes sobre esses assuntos, gravações, fotos...

Ah, e obrigada pela dica dos vídeos do Monk. Eu tenho uns maravilhosos: Straight no Chaser e um da coleção da Masters of American Music, fora outras tomadas que gravei da TV.

29 August 2006

katrina


Esta foto apareceu ontem no O Globo online, ilustrando uma reportagem sobre a passagem do Katrina por Nova Orleans há um ano atrás. Que imagem impactante!! O mar azul lá no fundo dando a impressão de uma serenidade eterna, uma placidez tamanha... uma árvore solitária pequena mas bem enraizada, firme, forte, sólida, que soube vencer o furacão.... o resto é devastação total, escombros, ruínas, e no meio disso tudo, um piano de cauda sem tampo mas inteirão ali plantado, com todas suas teclas, suas cordas aparentes ali no meio de tudo, indefeso, exposto ao sol, ao vento, à chuva, indefeso mas enorme, maçico, potente, inteirão, um verdadeiro monolito, uma rocha inabalável, indestrutível, imperecível, indefectável, imortal.

De quem foi esse piano? Por que ninguém veio resgatá-lo após a tragédia? Seu dono morreu? Ninguém quis se apropriar dele? Quantas alegrias deve ter dado a quem o possuiu... quantas festas, quantos momentos inesquecíveis, quantos saraus, quantas mãos o tocaram, quantos blues, quantos jazz....

Um piano desses é um instrumento e tanto. Quem me dera ter um. É um sonho...É uma preciosidade...

Mais preciosas ainda foram as vidas que se foram... da população negra mais pobre, a mais atingida. E quem sobreviveu, como foi reconstruir suas vidas, seus lares, suas famílias, seus pianos? Houve negligência por parte das autoridades... poderiam ter tomado providências urgentes, evacuado a população...

Mas nada foi feito, só as lástimas do após. Fica esse piano como registro, agora tocado pelo vento. Um piano eólio. Suas cordas quentes pelo sol, refrescadas pela chuva, borboletas nas teclas, ninhos de pássaros na sua caixa, trepadeiras subindo por seus pedais, até um dia se transformar em ruína também....

26 August 2006

arquiteta


Tem certas coisas que a gente faz crente que aquilo é aquilo mesmo, depois vê que "aquilo" só serviu de pretexto pra "isto" acontecer, e nada mais.

Quando fiz 21 anos, encasquetei que tinha que ter um diploma de curso superior. Quem era mais inclinado às Artes só tinha uma opção na época: fazer Arquitetura. Eu era pianista clássica, desenhava, tinha feito teatro... definitivamente, não poderia ser considerada uma "cientista". Encarei o vestibular e entrei pra FAU (Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ) em 1968. Que peso tem esse ano! AI-5. As passeatas. Aquele peso pesado que marcou o chão e o ar, a noite e o dia. E eu, recém-ingressa na faculdade, calourinha, sem maiores envolvimentos políticos, rapidamente aprendi a repensar o mundo, assistindo as assembléias no diretório, indo a reuniões estudantis, empunhando um color-jet (era assim que a gente chamava o spray) na mão pixando ônibus, e fugindo com a massa da polícia e os cavalos.

A Universidade foi marcante. Tive a certeza que era isto que queria, ser arquiteta. Idéias na cabeça, mão firme, prancheta, regua-T, estojo de canetas oxford, maquetes, papel manteiga e vegetal.

Mas agora vem aquela coisa que no começo comentei, e que não dá pra prever nem controlar. Não é que justamente ali um pessoal, me ouvindo cantarolar nos extensos corredores da FAU, gostou da minha voz e me chamou pra fazer parte do grupo de rock deles, o Cesar, Marcus et Trajanus (Antonio Cesar Lemgruber, Marcos Stul, Trajano Lemos)???? Bom, pelo menos no nome do grupo meu nome encaixava... et Diana!!! E com esse convite, fui aos poucos dando adeus à carreira de arquiteta (sem perceber, quando vi já tinha abandonado, nem tranquei matrícula).

A seriedade com que me preparei pro vestibular, o horário integral do primeiro ano de faculdade (o dia todo), as provas, as noites viradas estudando, tudo isso foi interrompido, diria até que desprezado, pra dar lugar à música. E o que começou sem a menor pretensão, sem eu ter nunca sonhado em fazer, que parecia quase uma brincadeira, acabou sendo a razão do meu viver ai ai...

Pra ilustrar, uma foto da FAU daquela época. Este é o lado dos "ateliês", que eram as salas onde desenhávamos os projetos. Você escolhia um (com mais uns dez colegas), e este seria o seu até o final do ano letivo. Guardo esta foto junto com as grandes amizades que ali conheci e que duram até hoje. Valeu!!!!

24 August 2006

tangerinas


Tangerinas. Que perfeição da natureza. Que cor. Que gosto. E tão amigáveis... com apenas uma leve pressão a casca sai quase que inteirinha... Tão tenra, tão macia, tão suculenta, tão sensual... é só olhar pra essa foto!

Não dá pra comer só uma. No mínimo duas. No outro dia comi cinco de uma vez.

Não dá pra comer escondido, o cheiro dela se espalha no ar, e a casa inteira fica perfumada.

Tangerina é pra se comer a qualquer hora, em qualquer lugar. Até no meio da rua... a casca dela serve de pratinho, enquanto ce vai atacando os gomos.

Tangerinas têm vários codinomes, dependendo do lugar onde se for comer: mexerica, mandarina, laranja-cravo... e são várias as espécies, desde a ponkan -que derrete-se na nossa mão ao menor contato- até a "tanja-bode", dificílima de descascar.

Mas ela tem a sua estação, e o momento é agora. Aliás, é melhor andar rápido e aproveitar, porque a estação de tangerinas está acabando.

No outro dia, fiz uma geléia de tangerina com frutose, que na verdade ficou mais parecido visualmente com doce do que com geléia, que é mais translúcida. Mas modéstia à parte, ficou demais. To pensando até em, quem sabe, levar isso à sério. A grande dúvida é -como conservar? pra fazer um estoque de meses?

frio e chuva


Como o frio é bom. Como a chuva é linda. Como eu gosto das duas, separadas ou juntas. Depois de um verão -ops! verão não, um inverno de 35º- de repente vem uma pequena frente fria pequenina de presente pra mim, e fico tão feliz, tão grata, tão inspirada, tão talentosa!!!!

Mas não posso sair falando isso pra qualquer um, em qualquer lugar, a qualquer hora, porque gostar de frio e chuva aqui no Rio é inconfessável. Não se pode falar isso impunemente. As pessoas olham como se você fosse um ET, e é assim que me sinto mesmo: gosto de coisas que ninguém gosta. Bem, ninguém não, mas... a grande maioria carioca.

Gosto de pôr casaco. Gosto de ficar embaixo das cobertas. Gosto de andar sem pingar, sentar sem estar com costas e coxas grudentas mesmo na imobilidade total, encontrar as pessoas, beijar e abraçar sem estar inteiramente empapada de suor, escorregando pelas faces, mãos, testa, pescoço, membros. Gosto de pôr botas. Gosto de fazer um bolo e chamar os amigos pra tomar chá. Gosto de comer muito. Gosto da penumbra e o mistério que a chuva traz, nuvens no céu, tempo de pensar, introverter. Mas isso é tão raro, são dias no ano que tenho que aproveitar e agradecer.

Gosto de olhar a chuva cair desde o horizonte, nas casas mais perto, no beiral do meu telhado formando uma cortina de cristais líquidos. As poças saltitantes na calçada, os veios de rios correndo pras sarjetas, as plantas e os troncos das árvores escuras, brilhantes, de cores vivas e berrantes. Vivo, tudo vivo. Parece que fico mais perto de mim. O som de chuva é música, volta e meia gravo o som da chuva e escrevo no K7- acontecimento fenomenal. E seu cheiro? esvazio meus pulmões e, numa única aspiração profunda e demorada, encho eles de novo sentindo esse cheiro tão forte de terra molhada, e que me arrepia o pelo de tão inebriante.

Chuva sem frio também é bom, que sempre refresca um pouco o bafo veranosufocante.

Frio sem chuva também é bom, com aquele sol gostoso no céu azul que aquece mas não derrete, deformando nossa cara e criando miragens desérticas no asfalto mole. Não. O sol de inverno é indispensável, corremos pra ele pra sentir como é bom estar vivo. E como é bom estar vivo!!!! é tão rápido, num instante passa, tanta coisa pra fazer, tanta coisa pra ser, tanta coisa pra ver... e tão pouco tempo para estar, só estar, nada mais que estar.

16 August 2006

O Bando da Lua


O BANDO DA LUA é conhecido por ter acompanhado Carmem Miranda, mas poucos sabem que antes de trabalhar com ela, o grupo já fazia muito sucesso. Aliás, foi por isso que Carmen insistiu em levá-lo junto para acompanhá-la em sua carreira internacional.

O Bando da Lua foi o primeiro conjunto vocal brasileiro . A sua primeira formação foi de um grupo grande de mais ou menos 17 rapazes que se reuniam na Villa do Mota no Catete (1931), onde ali tocavam e ensaiavam para os bailes de carnaval de rua, com o nome de Bloco do Bimbo. Aos poucos começaram a fazer sucesso e tiveram que “enxugar”: de 17 passaram a ser sete e finalmente, seis: Aloysio de Oliveira (voz solo e violão), meu pai Helio Jordão Pereira (violão e vocal), Osvaldo Éboli, o Vadeco (pandeiro), Ivo Astolfi (violão tenor/vocal) e os irmãos Stênio e Afonso Osório (Stênio, cavaquinho e vocal e Afonso, percussão, flautim e os inspiradíssimos efeitos especiais).

Esta foi a sua formação original, e foi com essa formação que os rapazes alcançaram a fama com seus arranjos vocais e instrumentais originais e altamente criativos, modernos (até hoje!), vindo a fazer muito sucesso nas rádios, nos cassinos, nos teatros de revista. Foram amigos de gente como Assis Valente, Custódio Mesquita, Silvio Caldas, Ari Barroso, Nássara, participaram de vários filmes (“Alô Alô Carnaval”, "Estudantes") e o seu sucesso passou a fronteira, indo tocar na Argentina, no Chile e no Uruguai.

Em 1939 Carmem Miranda foi contratada para cantar nos Estados Unidos e chamou o Bando para acompanhá-la, contrariando o empresário Lee Shubert, que, além de não querer complicações com o Sindicato dos Músicos de lá, não via a menor razão em levar seis músicos brasileiros, quando conhecia excelentes músicos americanos que poderiam tocar perfeitamente com ela. Mas a Carmen era esperta e sabia que nenhum músico americano, por melhor que fosse, poderia dar conta do recado, e em meio a várias manobras, finalmente conseguiram o contrato.

Ela estava certa. Foi um arraso. Bastou uma só apresentação de minutos para conquistarem a Broadway. Foram os primeiros divulgadores da nossa música nos EUA. Os pioneiros.

Pois é, meu pai Helio viveu essa experiência, e sou herdeira de sua história. O seu violão e a sua voz, junto com a música do Bando, foram a minha primeira influência musical. Marcaram-me profundamente. E sobre isso, tenho muuuuito que contar!!!!

Gravações do Bando da Lua não são fáceis de encontrar. Existem dois vinis: um, de músicas gravadas no Brasil pelo Bando, que tem também músicas do Trio TBT e do Conjunto Tupi. O outro são gravações americanas do Bando da Lua original e também do outro grupo que Aloysio formou depois nos EUA com o mesmo nome. Há um CD do selo Revivendo, com músicas do Bando da Lua original, Anjos do Inferno, Grupo "X" e 4 Ases e 1 Coringa. E também quatro fitas K7 com a obra completa do Bando (88 músicas) da Collector's Editora Ltda (Rua Visconde de Pirajá 550, sala 110, Ipanema, CEP 22416-900).

Na foto, de baixo pra cima: Vadeco, Aloysio, Ivo, Stênio, papai e Afonso. Boa Viagem e Boa Sorte!!!!

12 August 2006

pensamentos cosmicos



Dizem que Marte vai poder ser visto de muito perto neste mes de agosto. Diz o texto que "a Terra ficará alinhada à Marte, proporcionando um encontro que culminará na maior proximidade entre os dois planetas jamais registrada. Devido ao modo como a gravidade de Júpiter atua sobre Marte e interfere na sua órbita, os astrônomos podem apenas assegurar que Marte nunca esteve tão próximo da Terra nos últimos 5.000 anos. Será (depois da Lua) o objeto mais brilhante no céu noturno. Marte parecerá tão grande quanto à Lua cheia". Dia 27 será o auge.

Já imaginou? uma imensa bola vermelha à meia-noite boiando no céu?

E só em 2287 é que poderemos ver isso de novo... hmmmm... não sei sei ainda estarei por aqui... por isso é melhor aproveitar agora:)

Sou fascinada por Astronomia, só não segui a profissão porque essa vida é muito curta, e não dá pra fazer tudo que a gente gosta... e também porque... hehehe... não tenho muito jeito pra matemática. Me contento então em deitar numa grama gostosa, numa noite estrelada sem a mínima lua e olhar o céu... em algum canto fora da cidade.

Não conheço lugar melhor que a Lagoa das Lontras. Longe de tudo, perto de nada. Muito alto, encostada no céu. Minha impressão era de que tinha tanta estrela, mas tanta estrela, que se entrasse mais uma o céu iria explodir, não cabia mais. Estrelas cadentes aos montes, nem tinha graça fazer mais pedidos. Foi lá que aprendi que aquelas estrelas vermelhas que eu estava vendo ali não existiam mais. Que mistério. Que encanto. A primeira vez que vi um satélite artificial cobrindo a sua rota, meu coração disparou... pensei em se tratar de um disco voador... como desejava ver um disco voador, um ovni, algo que me provasse existir vida em outros planetas... porque o universo e eu ali naquela intimidade toda me fazia pensar nessas coisas, o que é a Terra, o que nos liga aos outros astros, tudo se mexendo, se movimentando em translações e rotações, funcionando direitinho noite após noite numa engrenagem espetacular, tudo parece igual mas tá tudo diferente a cada minuto que passa... como seria lá no alto, o que tem ali... e os buracos negros... e o sentido de tempo no espaço... a relatividade... o macro e o micro... meteoros... cometas... anéis de Saturno...

E pra ilustrar, uma foto que achei na internet, tirada em Connecticut, no final dos anos 80. Mostra as galáxias de Andrômeda e de Triangulum, as maiores e as mais perto da nossa Via Lactea. A de Andrômeda (o pontinho felpudo encima no centro) foi descoberta em 953 AC por Al-Sufi, um astronomo persa, que chamou-a de "pequena nuvem". Hoje sabemos que ela é maior que a nossa própria galáxia, e pode ser vista a olho nu em lugares distantes das grandes cidades. A galáxia Triangulum está no centro inferior (duas estrelonas encima e tres fazendo um "sorriso"). A brilhante estrela encima à direita é Alpheratz, ou Alpha Andromedae. Trançando uma diagonal a partir dela, estão Mirach (Beta Andromedae) e Almaak (Gamma Andromedae). Estrelas numa constelação são nomeadas por uma letra grega em de acordo com o seu brilho. Alpha é a mais brilhante.

Não é arrebatador uma visão dessas?

Muito bom ter pensamentos cósmicos. Noturnos. Dá a sensação de que faço parte de um todo, coisa que no corre-corre do dia-a-dia, ao contrário, esqueço de sentir...

09 August 2006

respondendo


E agora, respondendo sobre a Equipe Mercado: gravamos dois compactos simples e uma faixa no LP Posições, em que também participavam o Módulo Mil, o Som Imaginário e A Tribo. Apesar de termos tido mais material, as gravadoras não se interessaram em gravar mais, não era um som comercial. Isso foi há 36 anos!!! mas parece agora, né?

Um detalhe importante: não havia gravadora alternativa, independente como tem hoje. Não havia o programa Pró-Tools, com o qual a gente grava em casa mesmo. Não havia computador!!!!! Dependíamos inteiramente de uma Odeon, uma CBS, uma RCA...

Sobre fotos da época (não confundir com "de época":). Bem, nessa época, pouquíssima gente tinha máquina fotográfica. As fotos eram tiradas por amigos fotógrafos iniciantes que tinham laboratório em casa, revelavam e copiavam o filme em preto e branco (isso já não parece NADA com agora, né?) Fui aprendiz desse ofício e vivi horas e horas noturnas experimentando técnicas, vendo diante dos meus olhos a imagem se formar dentro daquela água reveladora. Magia pura. Tudo preto e branco. Foto colorida era caríssimo, só em lojas especializadas, nem me lembro direito de ter em mãos alguma. Filmadora então, nem pensar... portanto não tenho registros de audio ou vídeo dos shows da Equipe Mercado (1969-71). É bem possível que alguma TV tenha guardado algo nos seus arquivos, se é que guardam, não sei... Lembro-me de profissionais filmando em certos shows, e com certeza nos Festivais Universitários que eram transmitidos na TV e assistidos por uma multidão (tinham tanto IBOPE quanto as novelas de hoje, todos comentavam e torciam por sua música favorita). O que tenho são fotos de divulgação, e muuuuita coisa de jornal, cartazes etc.

Aguardem, meu site está sendo feito, aí vou mostrar tudo!!!! ou quase...

Como, em tão pouco tempo, os recursos de áudio e vídeo evoluiram de tal maneira que 30 anos atrás parecem 100. Agora tem mp3 num apetrecho do tamanho de um isqueirinho, tem celular, e celular tira foto, cameras das mais simples fazem filminhos, joga-se no computador, tira-se cópia pra divulgação, grava-se em casa, enfim... é um outro mundo, um outro planeta. Sou apaixonada por essa era digital, vou correndo esbaforida atrás tentando acompanhar as novidades, e claro, sempre me passam pra trás. Não faz mal, me divirto assim mesmo!!!

Pra ilustrar, uma foto da Equipe Mercado na entrada da Boite Sucata, janeiro de 1970, divulgação do show scaneada do jornal.

Antes do até, um lembretinho (não confundir com lambretinha:) pra você que manda um comentário sobre o blog pro meu email: deixe seu comentário clicando no "comments", pra eu poder publicar. E pra você que me faz uma pergunta mais específica, deixe seu email para poder lhe responder, vale?

Até!

mais Monk



Vim conhecer a obra do Monk já tarde, e claro, a primeira música foi Round Midnight, que é a mais famosa, com milhares de versões instrumentais e também cantadas. Encantei-me com os caminhos da harmonia + melodia, achei difícil, estranho, belo. Depois fui me interessando pelo resto de sua obra. Não há uma só composição sua de que eu não goste, que eu não sinta uma profunda identificação. As preferidas: Monk's Mood (um desafio. canto ela com letra minha no show com Tomás), Crepuscule with Nellie, Misterioso (um haikai), Reflexions, Pannonica, Brilliant Corners, In Walked Bud, Ugly Beauty, Monk's Dream, Friday the Thirteen (só o Thelonious pra fazer a melodia dar uma sétima maior com um acorde de sétima menor) , Locomotive, Dear Ruby, Off Minor, Epistrophy, Jackie-ing, Blue Sphere, Between the Devil and the Deep Blue Sea (que título!!!), e por aí vai. Adoro ver seus vídeos, aquelas mãozonas nas teclas com uma técnica oposta à que aprendi na Academia (fui pianista clássica, ia até seguir carreira... é uma outra história...), aqueles dedos de mãozona aberta, batendo nas teclas e que dá tão certo, fica tão bom, aqueles anéis enormes rodando em seus dedos, e ele re-posicionando-os enquanto toca- me dá uma aflição, por que não os tira logo??? Seu rosto inteiramente "possuído" como num delírio expressionista, sempre brilhando de suor. Sua coleção de boinas, chapéus... Se levanta, dança, roda em volta de si mesmo, corre de volta ao piano pra pegar a deixa do sax...

A turma que toca com ele também é especial, pois pra tocar com ele tem que ser.

E Monk tocando standards de outros compositores? simplesmente genial, único, prefiro suas versões às originais: Smoke Gets in Your Eyes, I'm Getting Sentimental Over You, April in Paris, I'm Confessing, Dinah, My Melancholy Baby, Tea for Two, Sophisticated Lady... Tem músicas que não gostava e passei a gostar depois de ouvir sua interpretação...

Carmen Mcrae gravou um CD só com o repertório de Monk (letras de Jon Hendricks, Abbey Lincoln, Bernie Hanighen, entre outros), que me transporta pras lá entre "o diabo e o profunda mar azul"... Nunca ouvi Monk cantado tão genialmente. Ela e os músicos (Al Foster- bateria/ George Mraz- baixo acústico/Clifford Jordan- sax soprano e tenor nas faixas de estúdio/ Eric Gunnison -piano nas faixas de estúdio/Charlie Rouse -sax tenor nas faixas ao vivo- este tocou anos e anos com Monk- e Larry Willis -piano nas faixas ao vivo) fazem esse disco indispensável, não dá pra não ter- Carmen cantando Monk soa tão natural, tão fácil como respirar, mas no encarte ela afirma que foi um desafio e tanto... acredito!!! Atenção pra faixa Get It Straight (Straight no Chaser) em que ela faz um dueto com Mraz.

E os CDs com outras feras como John Coltrane, Duke Ellington, Sonny Rollins? dá nem pra falar, só ouvindo.

Pra ilustrar, a capa mais louca dos vinis de Thelonious, o Underground.

08 August 2006

Noel


Por Noel, todos sabem a quem eu me refiro. Noel de Medeiros Rosa (1910-1937). Agora estou me deliciando com uma coleção de 14 (quatorze!!!!) CDs que foram lançados na Coleção Noel Pela Primeira Vez, lançado pelo selo Velas, com o apoio da Funarte e do Ministério da Cultura. O projeto foi do pesquisador de música brasileira Omar Jubran, que organizou e produziu essa coleção de 229 faixas (duzentos e vinte nove!!!!), partindo dos 78 rotações e digitalizando tudo que já tinha sido antes, e mais outro material inédito, raridades, gravações de rádio, músicas que não foram gravadas porque os cantores esqueceram a letra, etc etc.... Com essa coleção (cronologicamente gravada), dá pra observar nitidamente a grande transformação pela qual passou a música nesses anos 30: do samba amaxixado ao samba do bairro do Estácio (Ismael Silva, Bide, Marçal). Noel começa com temas caipiras, depois maxixe, então "descobre" os negros dos morros, e vai elaborando cada vez mais suas músicas, até a sua morte prematura, com somente 26 anos e meio... Noel é crítico, cínico, de um humor ferino, filosófico, cronista de sua época, e ao mesmo tempo sofrido de amor, autopiedoso, masoquista, vingativo.. Tudo podia ser convertido em letra de música pra ele: assassinato, prostituição, política, miséria, fome, futebol, doença.

Participações extraordinárias nos CDs: Francisco Alves, Mário Reis, Sílvio Caldas, Marília Baptista e a insuperável Araci de Almeida, mais Pixinguinha e os Diabos do Céu nos acompanhamentos, só para citar alguns.

Uma pisca de biografia: criado em Vila Isabel, cultivou uma polêmica briga musical com Wilson Baptista (outro genial compositor): o "malandro da Lapa" versus o "mocinho da Vila". Sua grande paixão na vida foi a Ceci, uma dançarina de um cabaré da Lapa. Tuberculoso, nem a doença o afastou da vida boêmia. Seu último samba -Eu Sei Sofrer- foi gravado por Araci de Almeida e Benedito Lacerda exatamente no dia de sua morte. Muito pra se falar de Noel.

Na verdade. vão ser semanas pra ouvir isso tudo. Meses? é.

05 August 2006

astros errantes


Ontem no O Globo, na página Ciência e Vida, tem uma ilustração linda. São os "astros errantes". Trata-se de dois planetas recém-descobertos que não giram em torno de estrelas, mas um em volta do outro, vagando livremente pelo espaço. Isto é surpreendente, pois todo mundo sabe, a gente aprende no primário, que planeta gira em torno de estrela. O nosso Sistema Solar é um exemplo, planetas frios orbitando a estrela quentefumegante Sol. Como ele, tem milhares de outros. Mas o que será que aconteceu com esses dois planetas? desgrudaram de suas órbitas? cansaram da rotina? uma bela noite resolveram seguir seu próprio rumo, criar seu próprio caminho, vagar, errar, se perder na imensidão, ao invés de ficar a vida inteira em volta de um astro que não lhes dava a mínima bola? Parece gente!!! Será que tem outros assim? Muitos? Então essa definição de planeta já não pode definir mais nada.
Indefinível. Indecifrável. Inexplicável.

03 August 2006

cerebro eletronico burro!

pois é, estou apanhando desse "cérebro eletrônico" que está aqui nas minhas mãos... tentando consertar um erro gravíssimo postado anteriormente, mais precisamente no texto de título "contrastes"... um lapso louco me fez confundir os nomes daquele assassino Pimenta..... (até bloqueei seu sobrenome... Neves??? aquele jornalista que matou a namorada pelas costas num haras -não confundir com harém...) com o Pimenta da Veiga meu deus... coitado, que horror. Doida! Tomára que esse blog nunca chegue aos olhos deste injustiçado... e vocês que o lerem, me perdoem essa distração, esse erro amnésico, essa falha imperdoável. E pra aumentar minha aflição, agora edito um novo texto, mas o velho não sai dali. Computador burro, não sabes mudar? mas se já mudaste textos meus antes.... como que agora te recusas? estás do lado de quem afinal? tenho o direito de errar, errar faz parte... sou humana, demasiadamente humana, minha cabeça falha de vez em quando, é normal. Assim como tenho o direito de errar, tenho direito de consertar o erro. Mas tu és um burro. O que mais preciso fazer pra que entendas que o texto antigo é pra trocar pelo novo? quero meu dinheiro de volta....

28 July 2006

nunca mais


Como é que é isto? Como é que a gente faz quando uma pessoa vai embora pra sempre? quando parte? quando tava ali falando com a gente na véspera, e uns dias depois inconsciente, e outros dias depois não se mexe mais, pra nunca mais??? Essa palavra -nunca- é radical. Tão radical, que não merece ser levada a sério, em se tratando de qualquer assunto em vida, como -nunca vou beber de novo- nunca mais vou viajar de avião- nunca mais vou falar contigo etc etc...A experiência nos ensina a nunca dizer nunca... Nunca só tem o seu significado pleno, cheio, verdadeiro, confiável, em presença da morte. Nunca mais vou ver essa pessoa- nunca mais vamos conversar. Nunca mais. Não tem meio termo. Não é mais ou menos. Não é de vez em quando. Não é raramente. Não se trata de um talvez. Nunca é nunca mesmo. Nunca é o absurdo. O que fazer? buscar explicações além-Terra? absurdo não se explica. Nunca mais. Minha única certeza é que não entendo nada, absolutamente nada da vida e da morte. É tudo mistério, e quero que continue assim.

24 July 2006

Thelonious Monk



Não tem pra ninguém. O Monk é o melhor de todos. Depois que ele apareceu, nunca a música americana de jazz (bem, e a internacional também...) foi a mesma. Estava a frente de sua época, e ao mesmo tempo enraizado no jazz tradicional. O mais criativo de todos. Original na sua música e em vários outros aspectos de sua vida- no jeito de se vestir, no modo de se expressar, no seu humor, no seu jeito de se apresentar no palco... Fala Monk:

"Anyone can use farout chords and seem wrong. It's making them sound right thats not easy" (Qualquer um pode usar acordes inusitados e soar errado. Fazê-los soar bem é que é difícil).

Pra quem não conhece, uma breve biografia tirado do seu site oficial:

Monk nasceu dia 10 de outubro (libriano!!!) de 1917 em North Carolina, e se mudou com a família para Nova York aos 4 anos. Desde cedo foi considerado um prodígio. Começou no trompete aos 9 anos, depois passando pro piano, e adolescente, tocava na Igreja Batista em quermesses e em shows amadores. Estudou no Peter Stuyvesant Music School, um dos melhores em NY. Em 1935 começou a se apresentar profissionalmente, e 2 anos depois montou seu primeiro quarteto.

Por volta de 1941 aconteceu uma revolução no ambiente musical de NY - o bebop, com novos conceitos sobre harmonia e rítmo- e um dos celeiros do movimento foi o bar Minton's, onde, junto com Monk, se apresentavam Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Bud Powell, Kenny Clarke, Max Roach, entre outros. Só a nata. Só tinha fera. Gostaria eu de ter estado lá nesse exato momento (meu pai esteve...).

A maneira de Monk tocar já era por si só revolucionáriamente original: enquanto que a mão esquerda dos pianistas todos tocava poucos acordes, mantendo na direita solos muito rápidos, tecnicamente perfeitos, virtuosísticos (mas comuns..), tanto a mão direita como a esquerda de Monk eram ativas, usando toda a extensão do teclado, além de valorizar espaços e os silêncios das pausas, com um fraseado único e uma economia de notas, dando lugar aos outros músicos para que também desenvolvessem as suas idéias. Monk não estava interessado em escrever melodias para as progressões de acordes comuns e tão batidas, e em vez disso, criou toda uma nova arquitetura harmônica e rítmica mesclando a melodia. Dizia ele: "Quando uma canção conta uma história, quando adquire um certo som, então está acabada... e completa".

Coleman Hawkins foi o primeiro a contratá-lo para um compromisso extenso e o primeiro a chamá-lo pra gravar. Isto foi em 1944, mas até o começo dos 50 ele ficou meio no anonimato. A maioria dos críticos e muitos músicos também lhe eram hostis. Era muita novidade para aquelas cabeças, não dava pra entender, não dava pra assimilar... A Blue Note foi a primeira gravadora a contratá-lo. Isto foi em 1947 (ano que nasci. Enquanto ele arrepiava as noites da Big Apple, eu mamava..), ano em que também se casou com a Nellie Smith. Bem, em 47 ele estava com 30 anos, já era um veterano, tendo passado quase a metade da vida debruçada no piano!!!

Os discos na Blue Note são antológicos, geniais, mas comercialmente não foram grande coisa. Ninguém ainda estava preparado para Monk.

Em 1949 nasce seu filho Thelonious. O dinheiro está escasso e fica pior quando é preso injustamente por porte de drogas, assume o flagrante pra aliviar a barra do seu amigo Bud Powell. Com isso, perde sua licença para tocar em NY (o "cabaret card", documento obrigatório na época para se apresentar em Nova York), e fica 6 anos sofrendo as consequências. Apresenta-se então em Brooklyn, em shows esporádicos fora de NY, continua sempre compondo, participa de gravações com Sonny Rollins, Milt Jackson, Miles Davis. Em 1953 nasce sua filha Barbara, e uma ano depois vai para Paris, onde grava seu primeiro album solo na Vogue, uma prestigiadíssima gravadora, e é aí que finalmente Monk começa a ser notado. Em 1955 é contratado pela gravadora Riverside, onde grava verdadeiras obras-primas e passa a ser elogiadíssimo pela crítica: Thelonius Plays Duke Ellington, Brilliant Corners, The Unique Thelonious Monk, e o segundo album solo Thelonious Monk Alone, entre outros. Em 1957 recebe a ajuda da Baronesa Pannonica de Koenigswarter que vira sua grande amiga e mecenas, e que consegue seu "cabaret card" de volta. Logo começa a histórica temporada de Monk e Coltrane no Five Spot Café, que se estendeu por muitos meses e foi um sucesso extraordinário. A partir daí sua carreira foi para as estrelas.

Em 1961 ele formou seu Quarteto famoso, com o Charlie Rouse no sax tenor (esse foi até o fim; no baixo, primeiro Butch Warren, depois Larry Gales, e na bateria Frankie Dunlop, depois Ben Riley), e excursionou por todos os EUA, e Europa e Japão. Em 1963 se apresentou no Lincoln Center regendo sua própria Big Band, assinou contrato com a Columbia e em 1964 foi capa do Times, o que significava a consagração total e completa. Monk fica famoso, e aos poucos suas excentricidades vão sendo reveladas na mídia, muitas vezes mais frequentemente que a sua música. A Columbia, por sua vez, vai absorvendo um público cada vez mais pop rock, e o jazz vai dando seu lugar pra outros gêneros mais populares durante o final dos anos 60. A útima gravação de Monk foi em 1968, com a Orquestra de Oliver Nelson. Em 70 Charlie Rouse deixa a banda, e em 72 Monk é dispensado da Columbia. Monk forma outra banda com os saxofonistas Pat Patrick e Paul Jeffrey, e seu filho Thelonious na bateria. Ainda realiza uma tour com os Giants of Jazz -Dizzy Gillespie, Art Blakey entre outros, e sua última aparição pública foi em 76. Sofre um derrame irreversível em 1982 e doze dias depois, no dia 17 de fevereiro, morre.

15 July 2006

atracao pelo abismo


Uma pessoa tá fazendo uma prova importante, tipo um vestibular, coisa assim. Recebe a prova, lê a prova, e percebe que não sabe responder quase a metade. Em vez de fazer logo as que sabe, e ir tentando as outras, vai dando um pânico, e acaba entregando a prova o mais rápido possível pra acabar com aquele desespêro.
Uma pessoa tá vendo o jogo do Brasil X França, torcendo para o Brasil na Copa de 2006. França faz um gol. Em vez de torcer e torcer e torcer pro Brasil fazer um, e depois outro, pra desempatar, a pessoa não aguenta a angústia e grita pra França fazer logo dois, e fica o resto do jogo esperando o próximo gol da França e.... torcendo pra França!!!!!
Uma pessoa vai dormir tarde, mas sabe que precisa acordar cedo na manhã seguinte. Em vez de dormir as tres ou quatro horas que tem, prefere emendar, já que tá acordado, continuar... "daqui a pouco vou ter que me levantar mesmo"
Uma pessoa tem um bicho de estimação que está muito doente. O tratamento é lento, difícil, trabalhoso e estressante, mas oferece uma possibilidade de cura. Pra não ter que passar pelo processo todo tão desgastante, melhora um dia, piora outro, continua igual no outro, sente dor no outro, fica muito mal no outro, aí melhora, prefere acreditar que não vai dar certo, não tem mais jeito, o que resta é sacrificar o animal.
Uma pessoa tá fugindo de um sei lá, touro com chifres afiados e enormes, correndo, e de repente tem uma árvore, ele sobe de qualquer jeito sem nem pensar, de repente ele nota que subiu mais do que podia. Olha pra baixo,o touro, e à sua volta, um abismo. Em vez de esperar o touro ir embora, sim, porque touro não vai ficar esperando a presa descer, mesmo porque pessoas não são presas de touro... ele entra em pânico e se atira no abismo, pra acabar logo com aquela situação, aquela angústia, ela resolve pular no abismo. Já que a situação é essa, chegou a esse ponto, então melhor acabar logo com isso.
O que essas pessoas têm em comum? A atração pelo abismo.

13 July 2006

uma outra paixao


Uma outra paixão que tenho é por fotografia. Desde criança, quando fotografia significava ver meu pai abrir aquela máquina em forma de sanfona, um click numa pose ou paisagem e pronto! eternizava o momento, parava o tempo. Depois já adolescente e pós, amigos meus -poucos, que antigamente quase ninguém tinha câmera- tiravam fotos minhas, paisagens, bichos de estimação. E sempre eram fotos preto e branco. Me ensinaram a revelar o filme, que emoção entrar naquele quarto escuro, com somente uma lampadazinha vermelha acesa, ampliador, e misturando aquelas químicas na água, mergulhávamos o papel, e por magia a imagem começava lentamente a aparecer, lentamente a se revelar, mais um pouco, um pouco mais, ficando mais visível, visível, um pouco mais escuro, mais escuro, mais escuro e -epa! vamos tirar rápido que tá no ponto!!! aí mergulhávamos a foto em outra bandeja de água com outras químicas (ainda tenho o cheiro guardado no nariz da memória...) e assim fixávamos a imagem no papel. Que emoção. Eram noites em claro, era muito excitante, as horas passavam e quando víamos, o dia estava amanhecendo.
Hoje fotos em preto e branco são raras, ninguém mais tira, é difícil achar aonde fazer cópias de negativos antigos, eu ainda conhecia um lugar no Centro, o laboratório Wanda, mas até esse já fechou. Tenho muitos negativos que gostaria de fazer em papel antes que esse negócio acabe de vez, conheço mais um ou dois lugares, mas como há muito tempo não tenho ido lá, nem sei se existem mais...
Mas voltando ao início, que é por onde tudo começa, fotografia é uma outra paixão minha. Fico fotografando tudo, e agora com as digitais, benditas digitais, ce tira uma porrada de fotos de uma.... sei lá.... formiga, depois deleta a maioria e fica com duas... eu às vezes fico com todas :) hehehe...
Essa que taí foi tirada nos jardins de Aranjuez (sim, tem tudo a ver com o Concerto de Aranjuez!), a umas horas de Madrid. Era uma tarde estufante e Núria e Walter (ver Ruídos Asociados) me levaram pra conhecer esses tais jardins, e era tudo muito bonito, muito sombreado, de repente um lago de muuuuitos patos de todas as idades, patinhos patões, patonas, patinhas... surgiu à nossa frente. Saí clicando sei lá quantos clicks.... sairam boas, umas maravilhosaas, e essa é uma delas.
Amo essa foto. Ela podia se chamar "Tudo Depente do Ponto de Vista", porque se você olhá-la assim deitada é um pato placidamente nadando lento manso e sereno num lago idem. Mas se virar a foto na vertical, você vê um... touro!!! Os chifres desproporcionalmente grandes e por isso mais ameaçadores ainda, as quatro patas, e até um culhãozinho pode-se notar. Parece que vem vindo na nossa direção, cuidado!!! Toda a serenidade da primeira imagem dá lugar à tensão da segunda.

Não é bonito?

10 July 2006

gatos


Tenho dez gatos. Já tive muito mais. Teve épocas que tive quatro gatas parindo quatro ninhadas de no mínimo, quatro filhotes, de quatro em quatro meses.... e elas mesmas se confundiam, às vezes pulavam pra dentro do caixote da outra, e dava de mamar pra seus sobrinhos.... Nunca abandonei nenhum, conseguia arranjar um lar para todos. Claro que ficava com uns, geralmente os menos bonitos, mas adoráveis do mesmo jeito, sim, porque gatinho pequeno (aliás filhote de qualquer espécie ai ai...) são mortalmente irresistíveis. Aquelas orelhinhas caídas... o rabinho cônico... quando abrem os olhos... quando começam a andar e cair desajeitados... depois começam a brincar de brigar um com o outro, eriçam o pelo e ficam pulando de lado....
Eu poderia criar um blog só sobre gatos, é assunto pra toda vida. Hmmm, boa idéia, quem sabe...
Cada gato tem sua própria personalidade. Nenhum é igual ao outro. Então não dá pra conhecer um e pensar que todos são que nem esse um... São muuuuuito diferentes um do outro, que nem gente.
Também na hora de parir, cada gata pare de um jeito, que nem gente: uma noite saí e deixei meu pai vendo TV. Era um fim de semana em que ele estava aqui em casa. Quando voltei um par de horas depois, ele continuava no mesmo lugar, e me disse: -Diana, a gata trouxe seus filhotes todos aqui pra cima do sofá! Olhei e vi as criaturinhas recém-nascidas. Fumaça tinha parido ali do seu lado, no maior silêncio.
Já a Semínima quando pariu berrava tanto, que não aguentei ficar perto de tanta angústia... parecia gente, e foi um parto normalíssimo, seis filhotes...
Eu era contra operar, a natureza sabe o que faz, deixa a bichinha transar, essas coisas. Mas com o tempo fui aprendendo que não tem nada a ver, tem que operar sim, porque se a gente deixa, vai nascendo e nascendo e nascendo e nascendo... povoando o bairro, a cidade, o estado... sendo maltratados, passando fome, com doenças, sofrendo muito. A SUIPA está superlotada de cães e gatos abandonados, no maior sufoco, tentando dar conta da imensa tarefa de cuidar de um número tão grande de animais, com tão poucos recursos...
Fechamos a fábrica. Na época, eram treze, agora são dez. São lindos, adorados, inteligentíssimos -todos sabem seu nome e vêm quando são chamados!!! Cada um tem uma personalidade, não tem nenhum igual. E eu, com essa experiência toda, virei consultora, mestre, doutora!!! Amigos me ligam pedindo informação, dicas, conselhos... me sinto orgulhosa e feliz de poder ajudar num assunto pela qual sou literalmente APAIXONADA. Sou doida por gatos. E como se não bastasse conviver com eles em casa, sou atraída pelos que vejo na rua, sempre puxo um assunto, faço carinho...
Será que vou ser uma "gateira", uma daquelas velhinhas que vão diariamente alimentar os gatos das praças, dos parques?

29 June 2006

pleine de soi meme


Conheci uma pessoa "pleine de soi même". Plena de si mesma, ao pé da letra. Orgulhosa de sua pessoa. Tem muitas, mas essa exagerou. Tem muitas que exageram, mas essa é além-exagêro, pois espalhou por todo o lugar onde mora e hospeda, quadros de sua autoria -assinados- e, não só quadros, mas pinturas nos ladrilhos, tampas de privada, teto, portas. E mais! nos descansos de pratos, poemas de sua autoria -assinados!!!!!
Não quero aqui falar da qualidade dessas obras, mas sim da admiração que ela tem por si mesma. Pleine de soi même. Orgulhosa de sua pessoa. Ce pensa que ela se pergunta "será que é bom? será que vão gostar? devo entupir as pessoas com meu trabalho? não é melhor ser mais discreta? não vão enjoar? não será uma overdose de informação? será que meu trabalho tem qualidade?"????? Nem aí. Sempre tem alguém que vai gostar e vai elogiar, porque tem gosto pra tudo, e isso tem meeeeeesmo. Tem sempre aquele outro que, por um interesse qualquer, vai querer ser simpático, mesmo que não tenha gostado, também vai elogiar. E finalmente, aquele que achou um horror não vai falar na cara -po, teu trabalho é uma merda... Se cala e finge que não viu, o que também, pra quem é pleine de soi même, serve como elogio... Elogio pra cá, elogio pra lá, e elogio é muito bom, quem não gosta? Mas a pessoa pleine de soi même na verdade nem precisa de elogio, porque a maior admiradora de sua pessoa é ELA MESMA!!! Ela se beija, ela se ama. Tudo que faz, acha que faz bem. Revela suas opiniões sobre os mais diversos assuntos. Se acha bonita, inteligente, talentosa e bem dotada, mesmo que não seja nada disso não importa... é assim que ela se vê, e é assim que ela vive e cria e se relaciona com o mundo.

06 June 2006

contrastes

"Existe muita tristeza
na Rua da Alegria
existe muita desordem
na Rua da Harmonia
analizando essa história
cada vez mais me embaraço
quanto mais longe do circo
mais eu encontro palhaço

cada vez mais me embaraço
analizando essa história
existe muito fracasso
dentro do Largo da Glória"

e por aí vai...

Este samba de Ismael Silva -Contrastes- com essa letra simples, vai no centro de questões profundas. Questões que estão no nosso dia-a-dia, contrastes, contradições, absurdos que não consigo entender...

Como aceitar uma justiça como a nossa? umas leis como as nossas? como podem estar soltas pessoas como essa Suzane, que matou os pais??????????? esse monstro chamado Pimenta, que matou a namorada pelas costas???????? aquele Guilherme da Pádua e (na época) mulher que mataram Daniela Perez????????????? é inaceitável, é revoltante, como podem essas pessoas conseguirem a liberdade? assim é muito fácil entender e apoiar alguém que resolve "fazer a justiça com as próprias mãos": ce mata aquele que matou a sua filha, e daqui a uns anos você será absolvido, ou seja, ce sofre um pouquinho o estar preso, mas depois de um tempo ce sai, e pronto. não que eu seja a favor, mas com uma justiça que nem a nossa, talvez seja o único jeito de poder haver justiça de verdade...
e as manobras... esses adiamentos do julgamento dessa coisa chamada Suzane... mas aqui entre nós, já não está claríssimo que ela é culpada? ré confessa? precisava ainda ter um julgamento? matar os pais dormindo? me desculpem, mas pra mim isso é prisão perpétua, por mais arrependida (e alguém acredita que ela esteja arrependida???) que ela fingisse estar, é prisão perpétua. Essa impunidade que nossas leis garantem ao assassino apodrece todo e qualquer sentido de justiça... isso tudo tem que ser mudado, reformas já!!!!!!

04 June 2006

tudo para o espaco


Continuando de ontem, viver distante de alguém muito próximo também tem seu lado positivo. Sempre que ces estiverem juntos, o tempo é muito mais aproveitado. Tem o perigo de não se fazer mais nada, ficar em função de. Comigo é assim. Meu pessoal fica aqui na minha casa quando vem visitar. É como se fosse um parêntesis, me transporto para um espaço onde não tem tempo e nada é tão importante como estar com aquela pessoa. É uma vida paralela repentina e de pouca duração, um sonho que sabe-se o tempo todo que dalí a pouco irá acabar, para dar lugar àquela outra situação estável e duradoura, que é a da separação... E quando se é free-lancer como eu, quando é você quem marca seus próprios compromissos, vou jogando tudo para daqui a 2 semanas. Inclusive a rotina diária. Correr, treinar.... dieta... vai tudo pro espaço, e me vejo comendo coisas que jamais como no meu dia a dia, acordando tarde, indo a lugares que normalmente não vou... Aliás, é o que acontece quando viajo... então é como se eu tivesse viajando na minha própria cidade, rua e casa...
E bom, é muito bom.

03 June 2006

Maina

Retornando após gripes, colunas, edições, chegadas...
E chegou a Maína com o John. Maína minha sobrinha, não, peraí, deix'eu explicar, é assim... minha filha... filha-sobrinha... sobrinha que é filha... ai... muito confuso, como descrever a Maína???
A gente esquece que as coisas podem mudar à nossa volta. Que as coisas não são pra sempre. Bem, tem umas que até são, que nem a família de meus amigos, ninguém se mudou pra outro país... irmãos convivem com irmãos, sobrinhos etc...e às vezes até no mesmo bairro!!! Mas pra mim foi diferente.
Aconteceu que Suzy minha irmã foi morar fora, levando Maína minha sobrinha junto. Somos muito apegadas. No começo foi inadmissível, inaceitável, fiquei arrasada e puta ao mesmo tempo. Agora vejo elas se desenvolvendo e se desabrocharem em flores lindas, tantas oportunidades, tantas facilidades, vivendo tão felizes, tudo deu certo, que não dava mais pra não admitir, não aceitar, ficar arrasada e puta ao mesmo tempo... fiquei feliz também. Mas isso não quer dizer que me acostumei com a falta... então sempre que uma vem pra uma visitada, fico inteiramente fora do meu caminho, querendo estar perto ao máximo. Como ainda agora, estava escrevendo, de repente pensei... puxa, Maina está lá na casa da Branca, há uns 15 minutos daqui... e lembrei de como é pensar e não poder ver... querer falar e não ter... o momento passa, o assunto fica arquivado para um futuro telefonema, e muitas vezes acaba sendo esquecido...e me deu uma vontade de estar com ela... nada... só pra conviver mais um pouco, o tempo é curto, daqui a uns dias vamos voltar à prática do telefone... quer saber, vou lá pra ficar com eles... escrevo depois... e é assim.

19 May 2006

Nicolau


Há tres dias, fui acometida de um mal súbito. Desta vez não veio com nenhum avisinho sequer, fui dormir bem, mas quando acordei tava com uma baita febre, e uma dor de garganta que não dava nem pra falar. Febre em mim bate como um leve delírio, fico inteiramente fora do ar, nada mais importa, só quero me afundar na cama, mergulhar dentro do travesseiro. Aí começa o delírio propriamente dito. Ligadíssima. Isadora Duncan no bondinho do Pão de Açúcar, o Gato de Botas, Trotski na barca pra Niterói, e também muitas caras desconhecidas se entrelaçando, lugares inusitados. Não é como sonho... consigo controlar, se quiser, mas geralmente deixo rolar. Parece que vou enlouquecer, mas não me dá medo, na verdade chego a gostar. Sinto-me como estivesse espiando o outro lado, uma região que quando criança era fácil chegar, agora não, que está tudo 'no esquema"... Ao mesmo tempo é penoso, porque o corpo não está confortável, tudo dói e está tão quente, apesar de estar um frio de bater queixo e tremer.
Bom era quando o Nicolau ainda era vivo. Companheiro perfeito pra essas horas. Ia chegando devagarinho, me fazendo carinho, me fazendo sentir que tinha alguém pra me cuidar... me consolando e me dando força (é, porque a gente pensa que não vai ficar boa nunca...). Depois deitava do meu lado e dormia aconchegado.
Esse era o Nicolau.

14 May 2006

feliz aniversario


Também hoje, salve ele!!!!!

dia das maes


Mãe é mãe, e nada mais pode chegar perto. Nada que se compare.
A minha já se foi, e foi cedo, ela tinha só 68 anos... e há 18 anos tento me adaptar à vida sem ela. Tudo bem, a vida continua, mas é um pedaço que me falta, e não tem jeito, ainda sinto, ainda penso, ainda lastimo sua ausência. Certas coisas que queria comentar, descobertas que queria lhe revelar, e tantas perguntas que queria lhe fazer, respostas que só ela poderia dar...
Quando eu era criança e descobri que meus pais iriam morrer algum dia (é, porque tem um dia exato que você descobre que tudo morre, talvez com 3, ou 4 anos...), achei que não iria aguentar, e cheguei a pensar em querer morrer antes... Depois haja análise pra aguentar o tranco!!!!
Bem, mas hoje está um dia muito frio -como eu adoro- chuvoso -como eu adoro- e eis que raios de sol teimam em varar as nuvens no céu. Um dia lindo. Deixo aqui uma foto em homenagem a esse dia de sol e chuva.

11 May 2006

Rosa Montero

Sabia que Rosa Montero era boa. Na Espanha, vários amigos meus falaram sobre ela, e eu estava curiosa para ler um livro seu, mas tava esperando o Carl me emprestar os seus volumes em castelhano. É melhor ler no original, sempre que isso for possível.
Carl é um grande amigo meu, da aula de taichi do Mestre Hu no atêrro, há tempos atrás. Pois no ano passado nos encontramos em Madrid, ele chegando da sua peregrinação pelo Caminho de Santiago (vindo de Sevilla, a rota mais difícil, bronzeadíssimo e vários vários quilos a menos...). Estava lendo La Loca de la Casa, de Rosa, e estava adorando. Nem cheguei a folhear, mas ficou na minha agenda mental. Mas eis que ganhei exatamente esse livro da Helô, e comecei a ler no mesmo dia.
Helô nossa! é mais antiga ainda!! da época da Equipe Mercado, ela fazia parte da produção.
O livro veio na hora certa, porque sempre escrevi desde pequena, mas nunca dei a menor importância à minha prosa. Fiz inúmeras letras, várias delas viraram músicas, e muitas foram pro lixo por descuido ou porque não prestavam. Mas agora tenho sentido muita vontade, mais - necessidade- de escrever. Me sinto mais mansa com a idade, antes eu queria festa todo dia o dia todo... gente gente gente, e o ofício de escrever é essencialmente uma atividade solitária. Pra quê escrever, se posso falar? era esse o clima.
Mas voltando ao livro da Rosa, que é justamente sobre o ofício de escrever, sobre a inspiração, o fracasso, o sucesso, o que acontece ao escritor pra que ele saia escrevendo... tem capítulos falando sobre o que aconteceu a Goethe, que se vendeu à corte humilhantemente, e nunca mais conseguiu escrever nada...a Capote, que foi destruído pelo sucesso... o que faz o escritor perder o rumo, é tão bom, muito melhor do que esperava, e só to na metade. Vou agora copiar um trechinho só pra mostrar como ela nos faz pensar.

"A qualidade literária é um dos valores mais subjetivos e mais dificilmente mensuráveis que conheço: se você for engenheiro e fizer uma ponte, por exemplo, pode estar mais ou menos certo da sua capacidade profissional enquanto essa ponte não cair: mas se for romancista e escrever um manuscrito, quem garante que essa resma de páginas impressas, esse monte de mentirinhas infantis e ridículas, como dizia Aira, são mesmo um romance e têm mesmo algum sentido? A história demonstra que nem o sucesso em vida nem os prêmios, nem, ao contrário, o fracasso e a contrariedade dos críticos foram alguma vez prova confiável da qualidade de uma obra. E nem sequer o tempo põe as coisas em seu lugar, como gostaríamos de acreditar por precisarmos ter certezas: algumas vezes caíram por puro acaso em minhas mãos romances de autores antigos totalmente esquecidos e fora de catálogo que no entanto achei ótimos, e previsivelmente eles nunca mais regressarão do cemitério. Quero dizer que escrevemos na escuridão, sem mapas, sem bússola, sem sinais reconhecíveis do caminho. Escrever é flutuar no vazio".

Esta é a Rosa Montero.

Perfeitamente aplicável à música também.

10 May 2006

Estudio Ruidos Asociados



Não estranhe. Asociados é com um esse só mesmo, porque é em castellano. Madrid, 2005. Foi nesse estúdio que gravei a voz de 6 músicas minhas, 4 delas pro próximo cd. Na foto, yo fazendo a maior pose. O Estúdio é do grande Walter Guimaraes (baterista que tocou comigo aqui no Brasil e na Europa) e da Nuria Marti, sua mulher maravilha. É pra ficar o dia todo a noite toda aí se deixando levar compondo criando experimentando ai... esse grande relógio me assustava cada vez que me mostrava as horas... quê? pero ya está mui tarde!!! e então era desligar tudo correndo, regar correndo as plantas lá fora, lavar correndo os copos e restos de lanchinhos que bem... em se tratando de obleas (espécie de hóstia do tamanho de um 45 rotações, de-li-ci-oso), como muitas vezes foi, as migalhinhas davam um trabalho... E o clima? era pleno verão madrileño. Muuuuuuuito quente. Mas como era no subsolo, enquanto lá fora tava uma sauna seca à 40 graus , lá dentro nos deliciávamos com uma temperatura de 20 sem ar condicionado!!!

06 May 2006

encontro da Equipe Mercado



Equipe Mercado foi o meu primeiro grupo de música. Teve vida curta, de 69 a 72, mas fez a cabeça de muita gente que até hoje comenta e sabe cantar certas músicas nossas que fizeram sucesso. Em 2003 nos reunimos depois de anos pra uma moqueca aqui em casa. Como mexe com a gente rever antigos amigos depois de tanto tempo. Fazemos promessas de nos vermos mais, trocamos telefones, querendo de verdade voltar a juntar nossas vidas, mas essas coisas dependem de outras que não só a vontade e carinhosas lembranças...
Vou colocar essa foto aí provisoriamente, pois as que tenho o blogger não tá importando por questões de formato. É do nosso encontro de 03: em pé, da esq pra dir: Marcos Stul (baixo e...), Antonio Cesar Lemgruber (guitarra e ...), Trajano Lemos (bateria, tocou só no comecinho, depois saiu da EM, mas continuamos sempre nos falando e atualizando). Sentados: Ricardo Guinsburg (voz, violão, arranjos e....) eu (voz, percussão e....) e Ronaldo Periassú (letras e .....) Por que as reticências? ah, porque todos tinham múltiplas funções!!!!

05 May 2006

pessoas que caem do ceu



De um mes pra cá, mais ou menos, duas pessoas cairam do céu no meu caminho, pumba! Seus nomes? Tania e Priscilla. Acontece que há tempos venho procurando alguém pra fazer meu site, mas não tenho tido sorte, ou a pessoa tá cheia de trabalho, ou some sem dar o menor sinal, ou simplesmente não rola sintonia... Pois essas lindas criaturas estão fazendo o meu site, e quero dedicar aqui esse primeiro blog pra essas figuras estonteantes!!!! Aliás, se não fossem elas, esse blog não existiria. Então aí vai queridas, amo vocês.
O que seria de nós sem nossos amigos? essas pessoas que caem do céu pra nos ajudar a viver, pra nos aliviar o peso no andar, pra nos ensinar a fazer coisas que não faríamos jamais se não fossem elas??? o que? o que?