06 May 2007

silhuetas- Lotte Reiniger


Você sabia???

O que é "teatro de sombras" ? achei no Wikipedia: "Existe uma lenda chinesa a respeito do teatro de sombras. Diz a lenda que no ano 121, o imperador Wu Ti, da dinastia Han, desesperado com a morte de sua bailarina favorita, ordenou ao mago da corte que a trouxesse de volta do "Reino das Sombras", caso contrário, seria decapitado. O mago usou a sua imaginação e através de uma pele de peixe macia e transparente, confeccionou a silhueta de uma bailarina. Quando tudo estava pronto, o mago ordenou que no jardim do palácio, fosse armada uma cortina branca contra a luz do sol e que esta deixasse transparecer essa luz. Houve uma apresentação para o imperador e sua corte. Esta apresentação foi acompanhada de um som de uma flauta que fez surgir a sombra de uma bailarina movimentando-se com leveza e graciosidade. Neste momento, teria surgido o teatro de sombras". É uma técnica milenar originária da China, que se espalhou pela Europa (século XVII e início de XIX), inclusive a palavra "silhueta" vem de um Ministro das Finanças francês chamado Etienne de Silhouette (1709-1767), que tinha como hobby os recortes em papel".

Pois eu não. O que eu sabia de silhuetas, é que me fazem sonhar. São cheias de magia e mistério, me prendem a atenção e me levam pra uma Terra feita de sonhos. Desde criança me amarrava no teatro de sombras, feita com silhuetas. Solenes, precisas, drámaticas e tão expressivas, minha imaginação corria solta e meu peito ofegante, em suspense, acompanhava a história da bruxa, das fadas, dos reis... Acontece que meu amigo Milton me mostrou um filme curta de uma alemã chamada Lotte Reiniger, que foi uma pioneira do cinema de animação com sombras. Este filme de 1926, chamado The Adventure of Prince Achmed, é uma das histórias das Mil e Uma Noites. Todas as fotos deste post é deste filme.


Vou parar de falar pra mostrar as imagens que tirei do filme da Lotte. Repare a delicadeza das figuras, do cenário, tudo feito de papel cortado. Que beleza, que beleza mesmo... outro mundo, outra época, outra vida... e que gênio, essa Lotte... que mulher incrível. E ver isso se mexendo é emocionante.








29 April 2007

onde?


Volta e meia eu me perco, perco minhas coisas, não sei onde estão, não sei onde estou, onde fica a saída, cadê minha cabeça, onde coloquei meus óculos. Mas felizmente tenho uma ajudante que me indica o caminho. Está aqui. Se chama Fumaça. Não tem êrro. Sempre tem a resposta certa na ponta do rabo. Não estou só. Posso me perder, que com ela por perto, sempre vou me achar...

tolerar


Tolerar tem limite. É que nem beber, fazer ginástica, comer, estudar, trabalhar. Se for em excesso, tolerar também faz mal pra quem tolera, porque significa engolir algo que devia ter sido posto pra fora e não foi. É bom se tocar a tempo (às vezes basta uma sutil mudança de atitude pro outro entender a "mensagem"), antes que seja tarde. O mundo tá cheio de gente muito doente que tolerou demais o que não devia...

A gente se acostuma com tudo. Até com o que nos faz mal. E como é que a gente percebe que está fazendo mal? quando? Sempre tem um tantinho a mais que a gente vai engolindo, e assim vai indo, indo, vai se acostumando, acha que a vida é assim mesmo, é normal, e quando percebe, já é tarde: a coisa vai se instalando devagar, cada dia um pouquinho, que nem a poeira diária que vai cobrindo as coisas no mundo...

Muitas vezes se tolera o que não se deve por insegurança. Outras, por mera preguiça. Ou inércia. Ou exaustão. Ou então, por falta de auto-estima. Pode ser medo também. Medo do que pode acontecer se chutar o pau da barraca. Às vezes pensamos que a coisa vai mudar por si só, mas nada vai mudar se a gente não fizer algo neste sentido. Muitas vezes se tolera em troca de algo que se pensa que se vai conseguir, só que essa troca não acontece nunca, ou então não como a gente esperava, e aí se vai cobrar isso mais adiante, mas... pra quem?

Pode ser por masoquismo, mas aí é outra história.

A gente nem raciocina. Sempre se pode tolerar mais um pouquinho ("não custa nada, né?"), e mais e mais, sempre acha que aguenta um pouco mais ("só desta vez, mas é a última"). Tentamos ser mais compreensivos, entender melhor, dar mais uma chance, adiar uma tomada de decisão, achar que vale a pena, por de lado nossos próprios desejos e não dar ouvidos àquela voz interna que diz- CHEGA! e em vez disso, inventar desculpas pra suportar o insuportável ("podia ser pior"). E quando vai ver... onde é que a gente foi parar? ao lado de um monstrengo que a gente mesma criou!!!!

22 April 2007

Aretha Franklin


Desde quando eu ouço a Aretha? sei lá, há mais de 40 anos. Ela começou a cantar nos anos 50 com suas irmãs Carolyn e Erma numa igreja em Detroit onde seu pai era reverendo. Repertório gospel (música de igreja batista americano, aqueles corais de negros de onde sairam muitos cantores de blues, soul e jazz; não confundir com o gospel evangélico que se ouve aqui e agora). Gravou seu primeiro disco aos 14 (The Gospel Soul of Aretha Franklin), e no começo dos 60, na Columbia, seu estilo foi mudando, ficando mais popular, mais Rhythm&Blues, mais Soul, e ela foi sendo mais ouvida nas rádios: Rock-a-bye Your Baby with a Dixie Melody, Lee Cross, Soulville... Mas ainda não conseguiu o sucesso merecido, muito devido à direção dos produtores, que escolhiam um repertório fraco, e apresentando-a como uma "entertainer" mais do que uma cantora de R&B.

Então ela trocou a Columbia pela Atlantic, e seu próximo single foi "I Never Loved a Man (The Way I Love You)", que gravou no estúdio Muscle Shoals em Alabama com excelentes músicos de R&B locais (Muscle Shoals Sound Rhythm Section), o que fez a gravação estourar (e dali por diante só foi sucesso!!!!), pois a combinação dos músicos com Aretha foi aquela alquimia perfeita, feita de instantes mágicos que acontecem quando existe um entrosamento total. Sua voz nunca tinha soado com tanta paixão, parecia que seu espírito havia se soltado e havia lançado vôo pela primeira vez.

No final dos 60, Aretha se tornou a maior cantora pop internacional, e daí por diante não parou de gravar sucessos, vindo a se tornar também um ícone do Movimento Negro pelos direitos civis, aumentando a confiança e a auto-estima da Comunidade. Seus discos estavam no topo das listas das 10 Mais, seu repertório era inspiradíssima e diversificada, indo desde Sam Cooke aos Beatles, dos The Drifters a Stevie Wonder, de Billie Holiday aos Rolling Stones, passando por Leonard Bernstein e Mamas and Papas...

Ela também tocava (toca) piano super bem, um piano blues, o que lhe dava (dá) um charme a mais, tipo Nina Simone, que tocava um estilo mais erudito-jazz... ai ai... essas Negas!!!!!!

Ouvindo Aretha, dá pra sacar em quem a Janis Joplin se influenciou...

Billie Holiday (1915 em Filadélfia-1959 em Nova York) e Aretha Franklin (1942 em Memphis) são as maiores cantoras pra mim. Nada a ver comparar uma com a outra: viveram em épocas distintas, Billie é jazz, Aretha é R&B, mas quando as duas abrem a boca eu fecho a minha bem fechada, fico de joelhos e jogo as minhas mãos para o Céu em êxtase supremo. Elas me arrepiam e me tomam a alma, me levando a caminhos nuncantes trilhados. E vou mimbora com elas.

Mas vamos à Aretha.

Sua voz de timbre inconfundível vai de suave à rascante, de vermelho a cor-de-rosa, de sol a tempestades. De climas contrastantes e imprevisíveis, a emoção explode em gritos gemidos urros sussurros (naaaaaada cool!). À cada música que interpreta ela dá um tom tão pessoal (Satisfaction, A Change is Gonna Come, Misty, Groovin'), criando em cima das melodias. Sua interpretação de Bridge Over Troubled Waters é demais! Tenho a gravação ao vivo no Fillmore West, a banda é incrível, ainda com um vocal de Negonas no vocal (aliás, este vocal é marca registrada dela, aquela coisa "soul", sempre presente nas gravações), ai!!! ainda um órgão hammond com caixa leslie, e um pianista - SERÁ ELA??? que no começo faz um solo de chorar. Como não se arrepiar?

Favoritas que não me canso de escutar: I Say a Little Prayer (pop anos 60 adorável, fico dançando sozinha), I Never Loved a Man (The Way I Love You), Respect (que foi regravada naquele filme recente (ops! recente?) do filme The Blues Brothers), Chain of Fools, Trouble in Mind, Muddy Waters, (You Make Me Feel Like) A Natural Woman, Baby I Love You, Never Let Me Go, Without the One You Love, Night Life (gravada por B.B.King tb), Nobody Knows The Way I Feel This Morning (bluesão), People Get Ready (gospel), Somewhere (do filme West Side Story, sua versão é jazz!!!!), e por aí vai, não dá pra citar todas. Outra favorita: Hey Now Hey (The Other Side of the Sky) -começa funkão, depois uma mudança repentina prum clima melosão, aí volta funkão, aquele baixo a mil. Outra favorita: Niki Hoeki, com um baixo também maldito, do álbum -Aretha: Lady Soul- Tem também o disco gravado ao vivo com o saxofonista King Curtis, ma-ra-vi--lho-so!!!

Apesar de seu auge ter sido nos anos 60 e 70, ela continua na ativa até hoje, gravando e ganhando prêmios, como por exemplo em 1991 -prêmio pelo conjunto da obra- e os dois Grammy pela melhor performance vocal de R&B Tradicional (em 2004 com a música Wonderful e em 2006, com A House Is Not A Home), assim como fazendo participações em filmes (Os Irmãos Cara de Pau- The Blue Brothers, de 1980 e 2000) e documentários (Immaculate Funk, em 2000, Tom Dowd and the Language of Music, em 2003 e Singing in the Shadow: The Children of Rock Royalty, também de 2003). O que ela fizer, vai ter sempre milhares de fãs a lotar seus shows, pois ela é a legenda viva do R&B, representante de uma época de efervescência cultural, criativa e importantíssima na História da Música do nosso planeta. Uma diva.

Linda adorável encantadora, minha Ariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiita!!! eis-me aqui a te adorar!!!!

eh tudou iluson...


Nestas semanas fiquei fora do ar. Mergulhei nos braços ruidosos do silêncio. Não tive escolha ou chance, quando é assim ele não avisa... me pegou de um tal jeito, que não deu pra me desvencilhar: quando vi, já era tarde.

Uma página em branco, o que escrever? Buscava um assunto, qualquer coisa, nada, algo, um gancho, uma piscadela, uma âncora, uma escada, um fio de frase.... Estava nos braços barulhentos do silêncio. Não pense você que o silêncio é ausência de som ou assunto... Este silêncio que me encaçapou era estridente, um zumbido no ouvido, e quantas palavras se atropelando, quantos pensamentos apostando corrida, quantas citações estranhas, fiquei muito confusa. Na verdade, um caos na cabeça. Por onde começar?

Pane. Vácuo. Triângulo das Bermudas. Buraco negro. Hiato. Tenho que organizar isso tudo. Planilha na mão, caneta, papel. Na rua. No elevador. Onde for, anotar pra não esquecer. Preciso de uma cadeira boa pra trabalhar horas no computador. Começar uns cursos novos, pintura, dança, leque. Ver de que maneira a Música pode fazer parte da minha vida, aqui e agora. Reinventar. Renascer. O quarto precisa de uma geral. Tenho que afinar o piano, arrebentou uma corda grave, vai ser uma nota:) Ligar pros amigos, marcar uma coisa. Marcar médicos. Começar a ensaiar. Começar o livro. Ler uns manuais aí pra saber como funcionam coisas que quero usar e não sei.

Enquanto silencio, o Sol canta. Saiu ontem dia 21 de abril um artigo interessantíssimo no JB, no Vida Saúde & Ciência. "SOL PRODUZ MELODIA PARECIDA COM A DE FLAUTAS NA ATMOSFERA. Cientistas descobrem formação de ondas sonoras na estrela". E continua: "Além de aquecer, iluminar a alimentar a vida, o Sol também canta. Com informações de satélites na órbita da estrela e de modelos teóricos de processos como as explosões solares, cientistas da Universidade de Sheffield, no Reino Unido, revelaram que ondas sonoras produzidas pelo astro têm melodia semelhante a de instrumentos de sopro e guitarras. A frequência do som não consegue ser captada pelo ouvido humano (....) mas conseguimos modificar o som em laboratório e torná-lo audível. Está disponível na internet".

http://www.robertus. staff. shef.ac.uk

Bem, entrei no site pra escutar esse som, mas não consegui achar aonde, é um site da Universidade, um site de Matemática Pura e Aplicada, Física Quântica, com muita informação, mas vou entrar de novo com mais calma, estou curiosíssima. Como será esse som?

Isto tem a ver com aquilo que eu dizia no começo... o silêncio tem som e assunto. Pois imagina uma noite calma, num lugar tranquilo, ce olha pro céu, e tudo parece quieto lento e sossegado. Mas não, naquela calmaria toda estão acontecendo explosões estelares, meteoritos se chocando, astros cantando, massas de ventos entre as galáxias uivando, o diabo a quatro, ou a oito, que é o símbolo do infinito.

Isso me lembra de uma vez em que eu estava no Solar do Unhão em Salvador, trabalhando num workshop com Smetak. Tínhamos chegado mais cedo pra dar uma ensaiada, e estávamos descansando, deitados nos bancos em frente ao mar, fim de tarde, olhando para aquele plácido céu enorme e azul. Era um daqueles momentos mágicos e bastante frequentes que aconteciam entre nós em que conversávamos sobre filosofia, religião, sonhos, sentimentos. O assunto era algo como a relatividade das coisas... como tuuuuudo era relativo... e deitados assim, cabeça contra cabeça, de forma que eu não o via, só ouvia, escutei sua voz me dizendo, bem devagar, com aquele sotaque de suiço-baiano: "Olha prra esse azulllll. Êh tudou iluson... tudou iluson!!!" E foi engraçado, porque a minha criança não gostou de ouvir aquilo, não tava preparada, caramba... tirou todo encanto daquela hora (estragou a minha "ilusão"), e me deu uma agonia doida: pois se nem a ilusão de um céu azul eu podia ter, não me restava mais nada...

Mas Smetak estava certo.

06 April 2007

meu site ta no ar!!!!!!!!!


Um sonho, esse site no ar. Demorou um ano, mas valeu. Quando cheguei na Espalhafato Comunicações, ninguém -nem eu- imaginou que fosse crescer tanto. Começou modesto, mas fui levando material, garimpando daqui e dali (afinal, eram 38 anos de informação!!!!!), trazendo pastas e mais pastas, jornais, fotos, gravações, K7, o negócio foi tomando um vulto que por pouco não explodiu. Mas ei-lo lindo e resplandecente.

Não dá pra ver de uma vez, a não ser que se tenha muuuuito tempo, pois como eu disse, é grande, cheio de caminhos a percorrer, labirintos a se perder, e quando ce pensa que acabou, que nada... tem muito mais coisa.

Ele é o exemplo de um sonho que virou realidade, aquela coisa que a gente um dia deseja, mas tá longe demais pra acreditar que vai acontecer, mas vai sonhando de teimoso, só pelo prazer de sonhar. Como quem não quer nada, pede informações aqui, lê sobre o assunto ali, telefona pra pessoas ligadas à área, mas nada se concretiza, não rola, o tempo vai passando e o sonho lá. Quando menos se espera, quando já se está na beira do desistir, não se está mais pensando em fazer site porcaria nenhuma, eis que surge uma informação importante, um contato surpreendente, que vai mudar todo o curso da história.

Foi um ano de idas semanais à Espalhafato (porque eu também fiz parte da equipe de produção), leia-se Tania, Priscilla e Stéfano. Chegava naquela hora bacana em que o dia escurece na noite, hora mágica da "Ave-Maria", e chegava com um sacolão de pães quentinhos, queijo minas fresquinho, e dependendo da ocasião, otras cositas más... armávamos aqueles sanduichões e íamos trabalhando horas, tentando dar uma organização a aquele montão de material.

Também tenho que lembrar das visitas ao mago Eduardo, que digitalizou e remasterizou montanhas de K7, VHS, compactos, discos, negativos de fotos, realizando verdadeiros milagres, porque havia muito material carcomido pelas traças, pela umidade, pela poeira do tempo...

E dos amigos que me deram tanta força.

Um ano, e agora ele está no ar. Sinto até saudade daquela ligação louca que me dava, parecia que tinha tomado alguma coisa, ia dormir pensando no que foi feito e o que tinha que fazer, acordava pensando no que tinha que fazer e o que foi feito. Mas agora tem as atualizações, as continuações, as revisões, e principalmente: OS NOVOS PROJETOS que estão a despontar malemolentemente. Novos sonhos que parecem loooooonge, distaaaaaaantes, nem dá pra acreditar, mas vou sonhando, dando um passo acá, otro allá, dois pra frente, um pra trás, um pra frente, dois pro lado, tres pra frente até que opa! quando vou ver, já virou realidade.

Obrigada a vocês todos lindos seres amados encantados!!!!!!!

04 April 2007

camelos

Camelos me impressionam. Bicho bíblicos, imponentes, atravessando desertos fumegantes , subindo dunas enormes de areia, enfrentando tempestades e mudanças bruscas de temperaturas, sem ver nada além de areia areia areia nos 360º em volta até a linha do horizonte, ou então subindo montanhas escorregadias e perigosas, fornecendo aos ser humano leite, lã, carne e sua própria pele... Carregando 200 quilos no lombo, andando 80 km em um dia, sempre eretos, fortes, responsáveis, e com isso tudo ainda portando uma cara risonha, jocosa, bem humorada, meio cômica até...

Bichos lindos.

Camelos e dromedários. Diferença? é que o camelo propriamente dito (camelus bactriano) é peludão, habita a Ásia, tem duas corcovas. Os dromedários (camelus dromedarius) têem uma só, de pelagem curta e amarelada, são todos domesticados, e vivem no norte da África.

Minha primeira relação com camelos realmente marcante foi quando fui fazer uma temporada na Tunísia, cantando toda noite por tres meses no Hotel Diar Al Andaluz. Esta experiência foi das mais belas, mais felizes de toda a minha vida, merece um livro a ser escrito. Tratava-se de um show de mulatas em que eu tinha tres entradas como cantora, quando então interagia com os atores e dançarinas, e antes e depois desse show turístico, eu e a banda fazíamos duas horas de show nosso. Mas voltemos aos camelos. Saíndo do aeroporto de Tunis, um micro-onibus nos esperando para ir para o hotel em Sousse. Enquanto olhava pra fora da janela, me extasiando com o cenário, de repente vi um deles, que rapidamente fotografei esbaforida e emocionada, a mão tremendo na máquina (analógica, na época não havia digital, começo dos 80), sem saber se ia sair direito. Mas ficou lindo:

O hotel ficava à beira-mar. De manhã eu ia à praia, naquela água verde transparente, chegamos a comprar pé-de-pato e máscara pra brincar de mergulho. De tarde, piscina (o show era à beira dela). E na praia, lá estavam eles, aqui em vários ângulos, juntos com burricos e eu de "bico".



Bem, agora passados 25 anos, eis que tive a maior surpresa quando fui a Natal. Nas dunas de Genipabu. Camelos. Parece que se deram bem aqui no Norteste, e lá estão eles pra turistada andar.


Eu particularmente não entro numas, prefiro vê-los soltos, sem estas amarras e cadeirinhas ridículas, humilhantes prum bicho tão digno e.... que saco horrível no focinho... que é isto? não dá pra ver seus sorrisos... os da Tunísia não tinham esta coisa... Bem, pelo menos esta vidinha à beira-mar, com turistas a passear, pouco movimento, um visual estonteante, esta vida comparada à brabeira das jornadas no deserto, é tudo que um camelo desejaria, não? Eu, se fosse camelo, não ia querer outra coisa...

31 March 2007

60 anos


Minha amiga Eliane me perguntou: como é ter 60 anos? E minha cunhada Maiza: "você se sente com 60 anos?"

60 anos é um conceito -na verdade um pré-conceito- um mito. Se a gente, ao fazer 60, ficasse verde, ou se nascesse um terceiro olho, ou se sentisse uma mínima diferença entre 60, 59, ou 37, seria fácil responder, mas não é assim. Não senti nada, não doeu, não tive nenhuma grande revelação divina (só uma pressãozinha alta, mas isto jovens e até crianças a tem), continuo sentindo uma energia e um dinamismo invejável {coisa que aos 25 eu não tinha, eu vivia cansada)... Antigamente, as pessoas de 60 realmente pareciam 60, eram mais velhas, não sei... a roupa, os hábitos, a cabeça (principalmente)... hoje mudou muito, e sinto que a minha geração contribuiu enormemente para esta transformação, pois mudar o mundo foi a nossa bandeira.

E mudamos mesmo!!!!

Hoje a expectativa de vida do ser humano é, sei lá, de uns 90 anos, por aí ou mais!!!! Então fazendo as contas, me sinto assim: já vivi 2/3 da minha vida. Quero viver este 1/3 que tenho pela frente experimentando novos sabores, trilhando novas estradas, fazendo coisas que nunca antes fiz, mas sempre quis. Criar, arriscar, descobrir, sonhar.

E tentar me entender: who am I?????

minha amada irma Suzy


Alô alô câmbio!!!! tem alguém aí??? estou aterrisando depois de três semanas inenarráveis. Os barômetros registraram altas pressões, viajei na estratosfera dos meus sonhos, fui sugada pelo rodamoinho dos dias sem data, datas sem tempo, tempo sem dias, pé nem cabeça. Numa nave intersensorial navegando pelas ondas intermitentes do inconsciente. Uáu, que experiência inesquecível!!!! Forte, muito forte.

Mas também quem mandou? eu sabia que meu coração não ia aguentar tanta coisa junta em tão poucos dias: a chegada da Suzy, meu aniversário de 60, o lançamento do site, viagem a Natal, volta ao Rio, despedida da Suzy. Mas ele aguentou, e aqui to eu chegando pra na verdade começar o meu ano. Em 31 de março...

Pois é, sempre fico mexida com a visita de minha irmã (e também de Maína minha sobrinha), é um parênteses que se abre na minha vida pra curtir meus parentes. Família de sangue, agora só tenho lááááááááá longe.... e quando elas aparecem, pára tudo. Ora, a gente sempre foi tão colada, não é de se estranhar... Suzy foi minha bonequinha viva, imagina ter um bebezinho de verdade, você com oito anos, pra dar a mamadeira... botar pra dormir... dar comidinha na boca... pois com Suzy foi assim. Depois foi crescendo e nós sempre juntas. De repente oito anos não fazia mais diferença nenhuma, e vivemos tudo nos anos 70 , úúúúi! foi muito bom!!! Mais tarde Maína nasceu, e repeti a dose com ela: mamadeira, ninar, criar, me preocupar que nem a sua mãe.

A vida da gente é cheia de contrastes irônicos. Sempre fomos super-grudadas, agora tanto ar e mar a nos separar, elas vivem láááááááááááááá longe, onde neva. E eu, num sol de rachar (quem gosta do frio sou eu, elas adoram o calor!!!!). Quando as extremidades se encontram, é emoção pra todos os lados. Porque afinal... bate esse sangue russo nas veias, e nada como o sangue russo pra ferver. Dostoievski taí pra provar.

Está aí uma foto pra eternidade. Nós duas. Pra sempre. Su, te amo tanto!!!!!

19 March 2007

mares revoltos


Mares revoltos entre a última postagem e esta. Mares revoltos. Coisas inesperadas, presssões altas, chegada da minha Suzy irmã amada, que no Rio pousou para animar o planeta, meu aniversário colorido festejado com meus ahhhhhhhh!migos, viagem à Natal, onde agora no momento ainda estou. Esta foto aí é de um momento meu. Bem, pode não ser exatamente da minha pessoa, mas é. Uma foto de como está o meu coração.

Qual a medida do amar? Até quanto devo me emocionar? Como fazer para não entrar em curto, arrepiando pêlos e cabelos, girando os olhos em espirais, atropelada, esbaforida, sentindo sentindo sentindo sentindo sem pensar? Perguntas que não têem resposta, que não fazem sentido, assim como tudo que se vive e se respira, se ex-pira e se morre.

Como é bom reencontrar irmãos. Mas que dificuldade dizer adeus...

03 March 2007

simpatica criatura


Dizem que tem um pedaço do nosso cérebro que reconhece as caras humanas, e às vezes quando acontece um derrame que afeta estas regiões, a pessoa faz tudo normal, mas não reconhece as pessoas. E que temos a tendência de em tudo ver rostos. Pode ser, mas é impossível não ver nesta simpática criatura um semblante, os olhos, nariz e boquinha num sorriso tímido. E as sobrancelhas? Posso até afirmar que ela tem um cavanhaque. Umas quase imperceptíveis marcas de expressão que se adquire de tanto rir, nos dois lados da boquinha.
Pensei que se tratasse de uma folha, logo que a vi, porque ela estava com as asas fechadinhas, e se notar bem, elas parecem duas folhas. Aí encostei nela com meu dedo, e foi se abrindo, como se gostando do carinho.

Que mundo belo à nossa volta, quantos mistérios, quantas revelações!!!!!

18 February 2007

13 de fevereiro


Esta é a minha amada adorada menina-sobrinha-filha Maína no dia de seu aniversário PAAAAAARABÉÉÉNS PARABÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉÉNS!!!!

Como todos sabem
ela mora nos Istêites
e eu morro de saudades dela
por isso suas fotos são uns deleites
esta foi tirada no dia
e eu tia coruja que sou
vou postá-la sem mais demora
e por ora
ficarei a contemplar
enquanto lá fora a ordem é sambar

(uáu!!!! o clima do carnaval tomou conta!!!)

11 February 2007

minha super-heroina


Eis aqui a minha super-heroína. Ela e sua prole, além de embelezarem o horizonte, me protegem de mosquitos dengueiros, e vejam só! montou sua teia exatamente na trajetória desta bala perdida surreal (por ter ziguezaguiado no céu até chegar aqui!!!!) mencionada no post anterior. Proteção redobrada!!!

Apesar de ter uma patinha a menos (a vida de uma aranha é dura!!!), ela dá conta do recado.

Confortavelmente instalada, ela se embala na brisa vespertina, enquanto espera paciente seu jantar que virá voando desavisado, e em algum momento será capturado nos fios da sua super-teia. Atenta, não deixa passar dois segundos. Imediatamente galga pelos fios de sua super-teia em direção à sua presa, e com muita habilidade vai soltando-a e comendo-a com vontade. Às vezes ela é ludibriada pelos ciscos de galhos e folhas que levitam pelo ar e acabam se prendendo ali. Mas assim que ela descobre (depois de instantes de identificação tátil-visual) que não se trata de um petisco, rapidamente solta aquela coisa dos fios, e joga-a fora, mostrando que, além de esperta, mantêm sempre sua casa limpa. Bem, esta minha super-heroína se descuidou um pouco da faxina... podemos notar aí uma poeirinha de folhas... Talvez ela esteja tão, mas tão deslumbrada curtindo esse fim de tarde, que ficou assim, imóvel, plena, só olhando o céu.

07 February 2007

bala perdida


Estava eu a recolher as roupas do varal, eram umas onze da noite de uma sexta-feira. Não era 13. Ao longe, bem ao longe, estava acontecendo o maior tiroteio entre dois morros aqui perto. Apesar de ser bem longe e não estar de frente pra coisa, tendo vários obstáculos para que uma bala errante chegar até aqui, sempre fico apreensiva e tomo vários cuidados, como fechar a janela de madeira da sala, não ficar na varanda etc etc... Estava particularmente assustador nesta noite, armamento pesado. Eis que de repente ouço um estalo e começou a jorrar uma cachoeira na escada perto de mim. Pensei que o cano d'água havia quebrado, tinha que ir correndo fechar o registro, ou a caixa iria ficar vazia em minutos, tal a quantidade que descia pelos degraus. De repente parou. Aí matamos a charada: foi uma bala perdida que bateu no cano de pvc que leva a água lá pra cima na caixa. Fomos ver com a lanterna e foi isso mesmo: o cano tava com um rombo de uns 10 cms. Mas tivemos sorte: ninguém estava passando na escada naquele instante, nem gente, nem gato, nem cachorro, nem gambá. No dia seguinte achamos o pedaço que foi catapultado e encaixamos-na tal qual peças de um quebra-cabeça, e deu pra ver direitinho o furo da bala, muito pequena, e um derretido provocado pela quentura da bala ao chegar.

Que tipo de sentimentos se tem numa hora destas? os piores possíveis. Como é que deixaram chegar a esse ponto? frustração, revolta, medo, insegurança, vontade de sair daqui e ir pra.... praonde??? Onde é melhor? tenho um sonho em morar no Canadá- índice zero de criminalidade! Mas... e o resto? se eu pudesse levar comigo tudo de bom que tenho aqui- e olha, não é pouca coisa não- não pensaria duas vezes.

Então nessas horas eu sou fatalista. O que tiver que acontecer, vai acontecer aqui, lá, acolá. E continuar vivendo driblando o mau enquanto "me é permitido"! Tomar cuidado, estar atento e... viver. E quem sabe, ir semeando outros caminhos para trilhar no futuro, caminhos que me levem a outros bairros, outras cidades, outros estados, e quem sabe.... para outros países? A vida é a gente que faz.

03 February 2007

fotos do show Thelonious Monk/Cole Porter

Bom, lá se foi meu sábado. Hoje resolvi pegar o dvd do show com Tomás (ver no post anterior) e congelar imagens para fotos, já que nenhuma foi tirada, esqueci inteiramente de tirar foto tal a euforia, e como eu, ninguém... Então fora horas e horas, ces já fizeram isto? a gente tira umas 100, depois vai escolhendo as melhores, depois no Photoshop dá uma melhorada na luz, no foco, vai cortando aqui, ali, e pronto! foi-se o dia. Até parece que sou uma bambambã, mas nada disso: é o tipo da coisa que gosto de fazer, apesar de não saber direito, só o básico, mas gosto, então foi um dia ganho, puro prazer!!! Aí está uma mostra:



Tocando teclado com Tomás MISTERIOSO de Monk, que foi só instrumental, momento de total encantamento.

E o abraço que se seguiu no fim de Misterioso.


Estas duas são do IN WALKED BUD, do Monk, toquei percussão e no final, piano a 4 mãos voltando ao tema, cantando também. Nesta o Nelson estava na guitarra.


Estas duas, REFLEXIONS do Monk com Nelson. Canto e toco escaleta no solo.




GET OUT OF TOWN, do Cole Porter.

Finaaaaaalllll!!!!!!!!!

29 January 2007

depois do show

Enquanto não coloco as fotos do show, aqui vão as palavras: foi maravilhoso, estava lotadão, amigos queridos que adorei ver e rever e muita gente que nunca vi na vida, o que é muito bom, porque tá rolando uma divulgação "de boca em boca". A surpresa da noite foi o tecladinho (controlador) que Tomás levou e os sons que ele tirou, timbres, improvisos. Toquei nele o tema Misterioso, do Monk, junto com o Tomás no piano de 1/4 de cauda. Foi um dos pontos altos da noite. Outros pontos altos do primeiro set (Thelonious Monk) foram: Monk's Mood, com letra minha, Reflexions, com a participação da guitarra de Nelson Jacobina, In Walked Bud, com Tomás e eu tocando à quatro mãos mais o Nelson. O segundo set (Cole Porter) teve momentos muito bons também, como Everytime We Say Goodbye, So In Love e depois com o Nelson, Get Out Of Town, De Lovely, e o delicioso Beguin The Beguine. Nossa, foi muito lindo e gostoso. Definitivamente, um show diferente e beeeeeeeem original.

17 January 2007

Revista da Musica Popular III


Delícia delícia delícia ler as entrevistas de Araci de Almeida, Ary Barroso, Manezinho Araújo, Moreira da Silva e tantos outros, reportagens sobre Pixinguinha, Noel, Jayme Ovale, Caymmi, Kid Pepe, Inezita Barroso, crônicas de Bororó, Vinicius, Rubem Braga, Sérgio Porto, Almirante. E as colunas fixas que apareciam em cada exemplar:
SETE NOTAS MUSICAIS (coluna de humor de Vão Gôgo):
-Triste era a situação daquele pobre músico:empenhara tanto o pistão que o dono da casa de penhores já tocava melhor do que ele
- Era tão apaixonado por música, que aprendeu a nadar ouvindo "Sobre as Ondas"
- Grande músico! tocava a Marcha Fúnebre tão bem que quando acabava todo mundo lhe dava pêsames.
MÚSICA NA NOITE (notas e pequenas crônicas sobre o meio musical, de Fernando Lobo, que além de escrever, ilustrava com ótimos desenhos sua coluna- eu não sabia que desenhava, e que desenhava tão bem)
DISCOGRAFIA COMPLETA (de artistas como Mario Reis, Orlando Silva, Jacob do Bandolim)
ESTES SÃO RAROS (78 RPM com a foto do selo, como por exemplo: Triste Cuíca (Araci de Almeida), Seu Libório (Vassourinha), Preto de Alma Branca (Benedito Lacerda cantando!), Isquipac Isquipu (embolada interpretada por Breno Ferreira) etc
UM TIPO DA MÚSICA POPULAR (crônicas de Pérsio de Moraes falando sobre temas como "Seu Oscar", "O Sambista Inédito", O Folião", "Laurindo", "O Correio" que aparecem nas letras das músicas)
DISCOS DO MES (seleção de lançamentos de Inezita Barroso, Leny Eversong, Yvon Curi, Dircinha Baptista, Ciro Monteiro, Silvio Caldas, Elizete Cardoso, Vanja Orico, Raul de Barros, Almirante, Kd Pepe, Luciano Perrone e muitos outros)
HISTÓRIA DA MÚSICA POPULAR CARIOCA (artigos de Mariza Lira: A Contribuição do Negro- O Rítmo; A Polka; Música das Tres Raças; A Influência Ameríndia; O Alvorecer da Música do Povo Carioca, Os Nossos Primeiros Trovadores, A Música na Senzala, Ritmos Carnavalescos etc)

E ainda notas curiosas como esta sobre o Villa-Lobos: Villa na America- o mais irrequieto e o mais jovem músico: fala sobre jazz: "Adoro o jazz por causa de sua riquíssima emoção, sua técnica, sua riqueza de timbre e sua tremenda fantaisa de ritmo".

E ainda uma edição inteiramente dedicada à Carmen Miranda quando ela morreu, e com 2 fotos do Bando da Lua, em que aparece meu pai, acho que nunca tinha visto antes.

E ainda tem mais, que continuo mais pra frente. É uma verdadeira jóia. Ouro em papel.

15 January 2007

Revista da Musica Popular II


Continuando sobre a Revista de Música Popular: não era exatamente uma publicação com idéias vanguardistas. Muito pelo contrário, a Revista tinha um quê nostálgico, um sabor nacionalista; pregava que a melhor e verdadeira música brasileira era a do passado, torcendo o nariz para a influência americana, violão elétrico etc. Eis um texto de Ary Barroso chamado DECADÊNCIA, que dá uma idéia de como eram as opiniões da moçada. São frases uma embaixo da outra, numeradas de um a dez (que nem os dez mandamentos!!!!!):

DECADÊNCIA

1
Antigamente não havia "gramática"em samba. E todos o entendiam.
2
Antigamente não havia "acordes americanos"em samba. E todos o entendiam.
3
Antigamente não havia "boites", nem "night clubs", nem "black tie". E o samba andava pelos "cabarets", humilde e sem dinheiro.
4
Antigamente não havia "fans-clubs". Então os cantores cantavam sem barulho um samba sem barulho, vinda da Penha, único barulho preparatório para o grande barulho que era o Carnaval.
5
Antigamente as orquestras não tinham a disciplina militar das bandas, porque eram bandas autênticas sem pretensão a orquestra. Então o samba saía sem pretensão, mas gostoso.
6
Antigamente o "compositor" não era compositor; era veículo sonoro de suas emoções. Então o samba saía à rua vestido de brasileiro, gingando como as "porta-estandartes"dos ranchos.
7
Antigamente não havia parceria de cantores, empresários e "veículos". Então o cantor cantava: não impingia.
8
Antigamente o teatro era o palco dos triunfos populares. Então, o samba vinha da Praça Tiradentes para a cidade e depois para o Brasil.
9
Antigamente samba era uma coisa, hoje é outra...
10
Decadência!
Decadência!
Decadência!

Não é uma preciosidade? e é engraçado, porque Ary ficou apaixonado pelo EUA quando ele foi visitar a Carmen, elogiar tudo que via e experimentava. E certamente ganhou muito dinheiro com suas músicas lá, além de ser um amante do jazz... mas mesmo com todo esse preconceito e mau humor, a Revista trazia em todos os seus exemplares, artigos super-abrangentes do Jazz americano - o tradicional é claro, como esclarece este pequeno texto, que parece se desculpar de dar tanta importância a um estilo estrangeiro de música: "a Revista Musical Popular não tem igrejinhas; só tem um tabu: o que é bom é bom e pronto (minha nota: e quem é que decidia por todos o que era bom ou não????). Daí não considerarmos, a não ser para meter o pau, qualquer música rotulada de jazz que fuja aos legítimos ensinamentos da única fonte autêntica do Jazz, New Orleans e os negros de outras cidades americanas que nela se embebedaram".

Quem escrevia os ótimos artigos eram Jorge Guinle, José Sanz e outros, e vinham com fotos e informações sobre lançamento de discos americanos na coluna -Um Disco Por Mes- e também havia uma seção regular -Dicionário de Marcas de Disco- em que eram citadas as marcas do mundo inteiro -Cafamo (mexicana), Betler (espanhola), gregas, colombianas, marcas que nuncantes eu havia ouvido falar- uma pré-globalização!!!! E de vez em quando escapulia um artigo como -Dizzy Gillespie no Rio- e -Ascenção de Gershwin- Onde mais buscar estas preciosas informações se não fosse na Revista de Música Popular???

12 January 2007

show Diana Dasha & Tomas Improta


Delícia pura!!!! nosso show no dia 24 é imperdível! O repertório é lindo, os arranjos estão ficando inspiradíssimos, Thelonious Monk e Cole Porter juntos numa noite é...

Super irresistível!!!!

O que os dois têm em comum? são geniais!!! somos seus fãs declarados e apaixonados. Monk no jazz bebop, com seus temas de harmonias, melodias e ritmo tão criativos, Porter em suas canções populares encantadoras, ambos sofisticados, de bom gosto, eternos e únicos nesse planeta.

Super inesquecível!!!

09 January 2007

Revista da Musica Popular


Recebi um presentão de Natal: um livro de 700 e tantas páginas impresso pela Funarte contendo a coleção completa em fac-simile da Revista da Música Popular. Um tijolão mesmo, daqueles que não dá pra ler na cama, porque segurar o livro estando deitada, sem apoio de uma mesa, é uma verdadeira musculação. Não consegui ler nem a metade ainda, mas é daquele livro que cê vai abrindo aqui, vai lendo dali, e cada achado é um encanto. Tô adorando.

A Revista da Música Popular foi uma iniciativa do Lúcio Rangel, que junto com Pérsio de Moraes, editou 14 exemplares de 1954 a 1956, período entre a chamada Época de Ouro e o surgimento da Bossa Nova. Sua periodicidade dependia a cada número com o dinheiro do papel e da impressão, que chegava geralmente atrasado. Sua redação (que até o último número saía nas revistas como "provisória") era na Rua Santa Luzia, no Centro. Cada exemplar tinha em média 50 páginas, seu formato era de 17,50X23,50, um pouquinho menos que as dimensões do livrão. A maioria de seus colaboradores (e que turma!! Vinícius de Moraes, Nestor de Hollanda, Rubem Braga, Mario de Andrade, Manuel Bandeira, Paulo Mendes Campos, Fernando Lobo, Guerra Peixe, Almirante, Ari Barroso, Haroldo Barbosa, Sergio Porto,Vão Gôgo e outros mais) trabalhavam de graça. Teve vida curta, mas foi fundamental e de uma importância extraordinária, pois resgatou grandes artistas ainda vivos como Ismael Silva, Assis Valente, Moreira da Silva, Ataulfo Alves, Lamartine Babo, e até o Pixinguinha... que estavam sendo esquecidos, vários já aposentados e sem mais criar. Com estas publicações eles voltaram a se a ser gravados, regravados, entrevistados, voltaram a se apresentar em shows, rádio e em programas da TV que estava apenas começando.

Este é o primeiro de vários posts que vou escrever sobre esta jóia. Aguardem!!!! É delicioso folhear suas páginas e encontrar artigos como "Dorival Caymmi fala de pintura, literatura e música" (de Paulo Mendes Campos); "Quando Chico Alves era turfista" (de Haroldo Barbosa), "Origem do Fado" (Mario de Andrade); Entêrro do Sinhô (de Manuel Bandeira); Ismael Silva por Vinicius de Moraes; Variações sobre o Baião (Guerra Peixe); Tres Baianos na Vida de Carmen Miranda e centenas de outras viagens. Me sinto um marinheiro nas águas do túnel do tempo.

07 January 2007

da minha janela


Viva 2007. Sempre tenho certeza que o ano novo vai ser melhor que o anterior. Sonhos renovados. Desejos também.
Estou saindo, mais tarde volto pra escrever, mas é que tava com tanta saudade de postar aqui, que vai esse trailer.
Com a foto do pipocar dos fogos da janela da minha sala, óóó que lindo. É um privilégio poder ver isto de casa. Quero este ano ver muuuitos fogos de artifício, e ouvir nenhum de artefato armado.